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Uns mais iguais que os outros

Era mais uma consulta, de mais de 10 anos de acompanhamento. Naquele dia conversávamos sobre o stress e como a velocidade das coisas estavam afetando o equilíbrio da minha saúde. Foi aí que o rumo da conversa me surpreendeu.

– A verdade é que as coisas estão muito rápidas, não é, Dr. Gustavo? As coisas mudaram muito.

– Mudaram. Veja que nesta semana estávamos organizando o cronograma do mutirão de cirurgias que precisamos fazer antes das festas de final de ano e um dos residentes falou que não podia no sábado tal pois tinha um churrasco. Onde já se viu?

– Ué, doutor. Mas esta geração tem anseios específicos.

– Com certeza! Isto é um absurdo. Quando eu responderia isto para um professor na época em que me formei?

– Pois é, aí é que está. Estamos em uma nova época e essa tal velocidade das coisas tem feito com que diferentes gerações sejam geradas em menos de uma década. E um churrasco para o seu residente pode ser tão importante quanto a carreira é para você.

 

Ele me olhou com uma cara curiosa e literalmente me pediu mais para falar sobre isto.

– Você topa falar sobre este assunto para os colegas e alunos da equipe de cirurgia na aula de encerramento de ano?

 

É como se pudéssemos comparar as gerações à diferentes computadores, cada um com um sistema operacional diferente do outro. O fato é que todos precisam conviver e se comunicar. Este é o motivo pelo qual isto atualmente pode ser tão desafiante. A expectativa de vida cresceu, a tecnologia se difundiu, a quantidade de estímulos aumentou em progressão geométrica. É cada vez mais fácil encontrar exemplares de diversas gerações diferentes em um mesmo ambiente de trabalho.

 

Existem os Baby Boomers, aqueles que foram criados sob valores e rígida educação, o que os tornaram bons líderes, mas tem dificuldades de lidar com mudanças, entendem que emprego fixo e estabilidade são ideais para um profissional. Temos exemplares da Geração X, aquela que absorveu os primeiros ganhos da evolução tecnológica. Tornaram-se hábeis em processos devido às mudanças que promoveram na economia e na política, além de virem a crise dos anos 80 acontecer e por isto valorizam a carreira.

 

Aí as coisas começaram a se acelerar e surgiu a Geração Y com toda a facilidade para adaptar, absorver, entender. Tornaram-se aptos às mudanças e por este mesmo motivo são multitarefas, nada apegados à cargos e querem tudo para ontem. Além disso o mercado já conta com alguns exemplares da Geração Z, aquela superconectada, virtual, ultra imediatista e tudo ou nada, que buscam por desafios constantemente.

 

O que eu achei mais interessante foi a capacidade do Dr. Gustavo Peixoto – dos primeiros exemplares da geração X, cirurgião chefe do Hospital Universitário da Universidade Federal do Espírito Santo, pai de três filhos da geração Z – ouvir, refletir, considerar e difundir tal entendimento. E é isto. A empresa do futuro é aquela que conseguir relações saudáveis entre gerações diferentes. Não há nenhum problema em aceitar que um churrasco é importante para um aluno, mas o papel de conduzir tal aluno a compreender que as coisas têm um preço e de repente um churrasco no sábado custe dois plantões na semana e tudo é uma questão de negociação é que vai fazer diferença.

 

Cecília Bettero é administradora, empresária na área de consultoria e treinamento, especializada em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas // Leia, comente e compartilhe os artigos anteriores no site www.ceciliabettero.com.br

  1. Simplesmente esplêndido seu texto Cecília, pena não ter q receita para resolver tal situação, o que hoje é um desafio para todos, conviver com tantas gerações diferentes rsrsrssrsr. Sucesso !!!!

  2. Ótima coloção! Muito bem escrito e tanto as diferenças quanto o desafio de unir formas tão distintas de atuar no mundo é que torna tudo um aprendizado constante. E vem mais gerações por aí. Parabéns pelo texto!

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